Não me permiti...
Fiquei preso, encapsulado
Dentro de mim mesmo
Insensível ao meu passado,
Atacado pelos meus medos,
Apenas um ser cansado,
Jogado de lado,
Como velho e quebrado brinquedo.
Não me permiti...
Permaneci preso por paredes
Criadas num momento de desespero,
Perpetuando minhas fraquezas,
Persistindo em velhos conceitos,
Deixando brincar meus defeitos,
Remoendo possíveis segredos:
Numa expectativa danada,
Numa distância pouca,
Numa ânsia louca,
Numa procura desesperada
De um beijo que não aconteceu,
De um abraço que nunca se deu,
De um sorriso que por muito pouco
Tempo existiu...
Não me permiti...
Sonhei uma vida cor-de-rosa
Resisti. Adoeci minha alma.
Tinha o sorriso amarelado.
Tudo tingi de tons acinzentados.
Assisti, exausto ao mesmo espetáculo.
Entorpeci-me de viver pouco a vida.
Deixei na poeira um coração murcho,
Devastado pela existência e saciado dela.
Não aprendi a técnica.
Errei a fórmula da mágica.
Fechei todas as portas
E cortinei todas as janelas.
Não fui à Piracicaba.
Ainda não enxuguei meus olhos
E o suplício persiste em fazer morada
Neste corpo sedento de amor, porém,
Farto dessa magia que é o viver...
Não me permiti
Perdi-me em crateras
Transformei tudo em dor
Deixei nascer uma triste primavera
Onde brotou uma rosa inócua,
Inodora, insípida e incolor.
Não me permiti...
Por quê?